O desfile da morte e o desfile da vida
Como é triste acompanhar imagens das cidades ucranianas devastadas. Por onde passa este horrendo desfile de guerra, há rastros de morte. Tanto de militares, que parecem estar lutando por algo que nem eles entenderam ainda, quanto de civis, apanhados covardemente em seus lares, ruas e abrigos.
Neste desfile de destruição, parece haver uma tentativa de demonstração de poder. Tanques de guerra blindados, armamento pesado, ataques com drones, misseis hipersônicos e até mesmo bombas proibidas pela Convenção de Genebra. Em meio a este terror, famílias escondidas clamam por socorro. Por comida, por água. Por um lugar seguro. Por dignidade. Por paz. Pela vida que tinham antes e que, o triste desfile da morte, levou embora.
Enquanto os olhos do mundo observam o triste desfile da morte pela Ucrânia, nossos olhos também são convidados a repousar sobre um outro desfile. Não de morte, mas um desfile que emana vida, ainda hoje. Um desfile que, há muito tempo, invadiu as ruas de Jerusalém. Ao invés de fortes cavalos treinados para a guerra, um simples jumentinho. Ao invés de um exército bem armado, simples pessoas com ramos nas mãos. E é justamente nesta simplicidade que está a maior demonstração de poder, o poder do Rei dos reis. Aliás, esta simplicidade não é novidade. Basta lembrarmos do nascimento deste Rei na humilde manjedoura de Belém.
Bruno Serves
Eis o Domingo de Ramos, celebrado pelos cristãos neste domingo. É a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém – onde, em questão de dias, o Rei dos reis teria em sua cabeça uma cruel e debochada coroa de espinhos. Sim, o desfile da vida, lá em Jerusalém, rumava em direção à cruz. E esta cruz, ainda hoje, é o poder de Deus para a nossa salvação.
Hosana, gritava o povo pelas ruas de Jerusalém. Esta é uma expressão hebraica que significa “salva-nos”. Ah, como precisamos continuar clamando ao Rei dos reis este Hosana. Salva-nos, Senhor, de nossas culpas. Salva-nos, Senhor, de nossos poços de ansiedades e aflições. Salva-nos, perdoa-nos, dá-nos a verdadeira vida, Senhor! E o nosso pedido é que o bondoso Deus ouça também o clamor dos cristãos ucranianos que clamam Hosana em meio aos horrores de uma guerra.
Então fica a dica: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor” (Marcos 11.9). Salva-nos, Senhor. Este é o pedido daqueles que, ainda hoje, celebram com ramos o desfile da vida. E vida eterna e eterna e abundante que há no nome de Jesus, o Rei dos reis.

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