Cariacica intensifica ações de rastreamento e tratamento do diabetes na rede pública

O diabetes afeta atualmente cerca de 9 mil moradores cadastrados na rede pública de Cariacica. Caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, a doença crônica exige monitoramento constante devido ao seu caráter silencioso, especialmente no tipo 2, o mais comum, associado ao sedentarismo, obesidade e predisposição genética. Para combater as complicações e garantir assistência integral, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) estruturou uma linha de cuidado que atende desde gestantes até o público infantil.

Somente no primeiro semestre de 2026, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município registraram mais de 4 mil atendimentos voltados à doença. Nas UBS, os pacientes com diabetes tipo 2 recebem acompanhamento clínico, orientações de estilo de vida e participam de grupos de apoio, como o Hiperdia.

Casos de maior complexidade, como o diabetes tipo 1 (comum em jovens e dependente de insulina) ou o diabetes gestacional, que atualmente afeta 23 grávidas no município, são encaminhados ao Centro Municipal de Especialidades, que realiza cerca de 100 atendimentos mensais na área de endocrinologia.

O secretário de Saúde de Cariacica, Renan Poton, destaca a importância da infraestrutura montada para o acolhimento desses pacientes. “Estruturamos a rede municipal de saúde para garantir que o morador tenha suporte desde o diagnóstico até o tratamento especializado. O nosso foco principal é a descentralização do atendimento nas unidades básicas e a garantia de que nenhum paciente fique sem o acompanhamento necessário, reduzindo assim os riscos de internações e complicações graves”, afirma Poton.

A falta de diagnóstico e de controle adequado pode resultar em complicações severas, como infarto, AVC, perda da visão e amputações. A médica Amanda Prado alerta sobre a necessidade de exames preventivos regulares.

“O diabetes é uma doença crônica que pode permanecer silenciosa por muitos anos. Por isso, esperar os sintomas aparecerem pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações. A melhor estratégia é procurar a Unidade Básica de Saúde para avaliação, principalmente quando existem fatores de risco. Com diagnóstico precoce, acompanhamento regular, mudanças no estilo de vida e tratamento adequado, é possível viver bem e prevenir complicações”, explica a médica.

Além das consultas, a rede municipal distribui gratuitamente insumos essenciais para pacientes insulino dependentes, incluindo glicosímetros, tiras reagentes, lancetas e agulhas para o automonitoramento. Na infância, Cariacica disponibiliza sensores de monitoramento contínuo da glicose em tempo real para 26 crianças de 4 a 12 anos com diabetes tipo 1 matriculadas na rede de ensino.

Outro avanço para este público foi a sanção da Lei nº 6.690/2024, que tornou o laudo médico para pacientes com diabetes tipo 1 válido por tempo indeterminado, reduzindo a burocracia no acesso a insumos e medicamentos.

Sinais de alerta e emergências

O município também atua na orientação sobre crises de hipoglicemia, que ocorrem quando os níveis de açúcar no sangue caem para menos de 70 mg/dL, gerando tremores, suor frio e tontura. A recomendação da Semus para casos graves, em que há perda de consciência ou convulsões, é nunca administrar alimentos ou líquidos por via oral. Nessas situações, o protocolo determina acionar imediatamente o Samu pelo telefone 192 ou encaminhar o paciente com urgência ao pronto-socorro mais próximo.

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