Concurso da Ales: o Legislativo capixaba abre portas e mostra fôlego em tempos de descrença no serviço público
Enquanto parte do Brasil encara com ceticismo a eficácia do funcionalismo, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) vai na contramão do desalento. Com a seriedade de quem entende que um parlamento forte começa com bons servidores, a Casa anunciou a abertura de 35 vagas em concurso público, com salários que chegam a R$ 9,6 mil e uma estrutura de seleção que — se mantida com lisura — pode se tornar modelo.
A notícia, claro, movimenta os bastidores dos concurseiros. Mas vai além disso. Em tempos de desvalorização do conhecimento técnico e do ataque sistemático às instituições democráticas, a simples abertura de concurso com critérios objetivos, transparência na escolha da banca (o IBGP, neste caso) e divisão de vagas por áreas estratégicas já é um respiro. E, por que não dizer, um aceno de que o Legislativo local quer se reinventar.
E há boas razões para o entusiasmo. O cargo de Consultor Legislativo, com salário inicial acima dos R$ 9 mil, será distribuído entre áreas essenciais para um parlamento antenado com os desafios contemporâneos: de Meio Ambiente e Mobilidade Urbana a Finanças Públicas e Controle Interno. Isso é mais que seleção — é planejamento institucional. É assumir que legislar exige mais do que discursos inflamados e transmissões ao vivo: exige dados, estudo, assessoria técnica e decisões informadas.
Já o cargo de Analista Legislativo, com vencimentos iniciais acima dos R$ 4,6 mil, reforça setores administrativos e financeiros — base sem a qual nenhum parlamento se sustenta. E para quem ainda associa funcionalismo à elite acadêmica, vale lembrar que a Ales também abriu 15 vagas para Agente de Polícia Legislativa, com exigência de ensino fundamental. Um gesto que, além de abrir portas, lembra que a segurança da Casa é feita por gente que também merece valorização e oportunidade.
Importante também destacar os benefícios, que tornam a carreira atrativa e humana: auxílio-creche de R$ 500, auxílio-alimentação de quase R$ 2 mil, plano de saúde escalonado conforme a idade e adicionais por tempo de serviço e assiduidade. Pode-se discutir os valores? Claro. Mas difícil negar que, no papel, o pacote é digno — e mais: reconhece que o servidor é, antes de tudo, pessoa.
E que fique o alerta: o verdadeiro sucesso deste concurso não estará apenas no número de inscritos ou na celeridade das provas, mas na qualidade da seleção e no respeito ao mérito. A credibilidade de um parlamento também se mede por quem ele escolhe para trabalhar nos bastidores.
No mais, enquanto o país debate cortes e precarização, a Ales parece ter feito uma escolha corajosa: fortalecer seu corpo técnico e investir em capital humano. Tomara que seja só o começo de um novo ciclo — mais profissional, mais ético, mais transparente. E que os escolhidos, ao ingressarem por mérito, ajudem a tornar o Legislativo capixaba mais conectado com o futuro que todos queremos.

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