Arte que liberta: internas capixabas levam crochê à maior feira artesanal da América Latina
A delicadeza do crochê será o fio condutor de uma poderosa história de superação, afeto e transformação social. O artesanato produzido por mulheres privadas de liberdade no Espírito Santo vai atravessar fronteiras e chegar à Mega Artesanal 2025, em São Paulo — a maior feira de arte e criatividade da América Latina, que acontece entre os dias 5 e 9 de julho.
O destaque da exposição será Laurinha, uma charmosa Kombi decorada com 500 quadrados de crochê produzidos no Ateliê Mãos Livres, projeto desenvolvido no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC). Mais do que transporte para as peças, o veículo representa um símbolo de luta, acolhimento e esperança — valores que bordam, ponto a ponto, a proposta do projeto.
A idealizadora da iniciativa é Rogéria de Aguiar Alvim, voluntária que ministra oficinas em duas unidades prisionais capixabas. Vencedora de dois cânceres — de mama e de tireoide —, Rogéria decidiu transformar sua trajetória em amor ao próximo. As peças produzidas pelas internas, como amigurumis, naninhas e bonecos, são doadas a hospitais e instituições sociais que acolhem pacientes oncológicos.
O nome da Kombi, Laurinha, homenageia a filha de uma amiga que faleceu ainda criança durante o tratamento contra o câncer. Essa amiga é Krystian Penha da Silva Scarpi, também voluntária no sistema prisional e responsável por oficinas na Penitenciária de Segurança Média 1 (PSME1), onde internos também contribuem para a produção das peças da feira.
Para a diretora do CPFC, Patricia Castro, o projeto mostra como a arte pode ser um caminho de ressignificação e reconstrução de vidas. “O Ateliê Mãos Livres proporciona às internas um espaço de aprendizado, expressão e pertencimento. É uma ação que costura dignidade, promove a solidariedade e mostra que, mesmo em contextos adversos, é possível reescrever histórias”, afirma.
A expectativa é que a participação na feira não apenas dê visibilidade às peças, mas que também amplifique o debate sobre o poder da arte como ferramenta de ressocialização e como elo entre o cárcere e a sociedade.

Deixe um comentário