Brasil tenta evitar prejuízo bilionário com tarifas dos EUA: Senado cria comissão de emergência para negociar em Washington

Num momento em que o Brasil tenta preservar seu protagonismo nas exportações do agronegócio, uma nova turbulência ameaça diretamente a balança comercial: a decisão do governo norte-americano de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com destaque para a carne bovina. Em resposta, o Senado aprovou nesta terça-feira (15) a criação de uma comissão externa temporária, que funcionará como uma espécie de “diplomacia econômica de urgência”.

A missão, que vai de 29 a 31 de julho a Washington, será composta por quatro senadores e terá prazo de atuação de 60 dias. O objetivo: buscar um entendimento direto com parlamentares dos Estados Unidos e tentar suavizar — ou reverter — o impacto da medida anunciada pelo presidente Donald Trump. A taxação entra em vigor já no dia 1º de agosto e, se mantida, pode representar um golpe duro para as exportações brasileiras.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), foi claro: os frigoríficos já cogitam suspender o envio de carne aos EUA, e o temor se espalha por outros setores exportadores. “Empresário precisa de previsibilidade”, afirmou o senador, verbalizando o que o mercado já sabe — incerteza é sinônimo de retração.

Por trás da medida americana, há um contexto maior: disputas comerciais estratégicas, pressões internas por protecionismo e, possivelmente, ruídos diplomáticos acumulados. No entanto, os efeitos práticos recaem diretamente sobre o agronegócio brasileiro — justamente um dos pilares da economia nacional e responsável por superávits sucessivos na balança comercial.

A movimentação do Senado acerta ao tentar abrir um canal político direto com o Congresso norte-americano. Em um cenário de entraves nas vias diplomáticas tradicionais, iniciativas parlamentares paralelas ganham importância. Mas a eficácia da comissão dependerá da articulação com o Itamaraty, da coesão da agenda apresentada em Washington e, sobretudo, da capacidade de demonstrar o peso econômico mútuo da relação comercial.

A carne brasileira — alvo mais imediato da tarifação — é também símbolo de uma engrenagem complexa que envolve milhares de produtores, milhões em investimentos e cadeias logísticas robustas. O risco de sanções e interrupções nesse setor pode provocar, além de perdas diretas, reflexos no emprego, na arrecadação e no próprio desempenho do PIB.

Não é exagero dizer que o Brasil enfrenta uma ameaça tarifária de alto impacto. O esforço do Senado, neste caso, pode ser decisivo não só para garantir a competitividade das exportações, mas também para preservar um espaço estratégico em um dos mercados mais exigentes do planeta. O relógio corre — e o fôlego da economia, como sempre, depende de decisões rápidas, coordenadas e inteligentes.

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